Entre o arrependimento de não fazer o que realmente quer por medo de rejeição, e a dor de ter falhado, o que você escolhe? Bem, eu sempre escolhia a primeira opção, afinal, o medo faz parte do instinto humano. Até então, vivendo desse jeito, perdi oportunidades únicas de realizar minhas aspirações, devido à minha timidez e ao meu medo de fracassar.
Foram dezenas, talvez até centenas de chances desperdiçadas. O arrependimento tomava conta do meu coração e a insanidade varava nas noites em claro na minha mente. Depois que eu perdia alguma oportunidade, olhava para o passado e desejava voltar no tempo para fazer tudo diferente, sem medo, visando somente o futuro dos meus sonhos.
De nada adiantava querer mudar o passado se eu continuasse cometendo os mesmos erros no presente. Daí então resolvi dar um jeito na vida, prometi à mim mesmo que a partir daquele dia em diante, não deixaria que medo algum impedisse os meus sonhos de se realizarem.
Não esperei muito para agir, havia uma garota, sabe aquela que aos seus olhos é perfeita? No meu caso ela tem um sorriso encantador, um olhar que me deixa perplexo, ela é inteligente, e uma de suas maiores virtudes, é o bom coração. Ao me lembrar dela nesse momento até perdi o fôlego. Pois é, a muito tempo ela já tirava-me noites de sono, eu ia dormir e acordava pensando nela. Eu inclusive agradecia a Deus por tê-la colocado em minha vida, e rezava para que pudesse ser feliz ao lado dela, em virtude de todas as minhas antigas desilusões, afinal, já sofri mais do que vocês podem imaginar.
Já não suportava um aperto no meu peito, Deus parecia ter me atendido, pois o que eu mais queria, aconteceu. Uma dupla-oportunidade de conquista-la e de não ficar arrependido de guardar aquele amor platônico dentro de mim.
Já tinha preparado tudo em meu pensamento, ahh como eu queria que tudo fosse assim, perfeito. Na noite anterior, já havia me precavido, fiz uma carta dizendo tudo que eu sentia, caso me desse um branco ou até mesmo se eu travasse. Então chamei-a para conversar, não sabia por onde começar, então lhe entreguei a carta, ela pegou-a e ficou sem intender, disse para que ela lesse quando chegasse em casa. Essa situação de entregar ‘bilhetinhos’ parecia algo tão infantil, e senti que se fizesse somente isso, de nada adiantaria. Então resolvi falar o que eu sinto, recontando fatos que farão parte para sempre da minha memória. Naquele mesmo lugar que eu falava sobre o meu amor por ela, era exatamente o mesmo lugar em que nos conhecemos.
Eu tremia, minhas mãos congelaram, minha boca secou, sentia como se houvessem borboletas em meu estomago, e para piorar, meu cérebro travava, não conseguia raciocinar direito (talvez fosse a vergonha, ou talvez fosse a dose de whisky que eu tomei para criar coragem), mesmo assim fiz de tudo para não desistir. Enfim passei cerca de uma meia-hora falando o que eu sentia e aquilo que estava a muito tempo engasgado dentro de mim.
Ela me disse não, não agora, não depois, não hoje, não sei quando, talvez na outra semana, talvez nunca, pois naquele instante da festa, ela confessou-me que já estava com outro, e que gosta de ser fiel, e se sentiria mal de deixa-lo. Nesse instante senti uma frustração do tamanho do universo, mas ao mesmo tempo, vi que ela era a garota perfeita, já que a fidelidade me fascina.
Cheguei a mencionar à vocês o tanto quanto eu sou um derrotado? O tanto que eu sou fracassado em tudo que faço? Pois é, tinha me esquecido desse pequeno ‘grande’ detalhe, fique cego, pensei somente em não desistir e em não arrepender, e não levei em conta os altos índices de tudo dar errado, como nos diz a lei de Murphy.
Eu que antes sofria de arrependimento, agora sofro por desilusão de ter perdido algo que nunca foi meu. Apesar de tudo, ainda é cedo para desistir, ainda tenho esperanças que ela leia a carta e lembre-se do quanto eu a amo, pois pra ela, pois por ela, eu dou infinitas chances.
Escrito pelo meu bruxo, Marcel Schmegel
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